O painel apresentou uma contribuição relevante tanto do ponto de vista metodológico quanto de política econômica ao propor uma nova forma de mensurar a abertura da conta de capital. O ponto central é que a abertura financeira não deve ser tratada como uma variável binária, aberta ou fechada, mas sim como um processo contínuo, com diferentes intensidades e direcionamentos. A partir disso, os autores introduzem o índice FinOpen, que permite capturar nuances importantes da regulação de fluxos de capital, especialmente ao diferenciar entre fluxos de equity e de dívida.
Os autores iniciam destacando a dificuldade de mensurar a abertura da conta de capital, dado que os fluxos podem ocorrer em diferentes direções e assumir diferentes formas, além de serem regulados por múltiplos instrumentos de política.
Nesse contexto, o indicador mais utilizado, o Índice de Chinn-Ito, é descrito como uma medida baseada em codificação binária que indica apenas a presença ou ausência de restrições, sem captar sua intensidade.
Os autores ressaltam que essa abordagem limita a capacidade de observar mudanças graduais na política de abertura da conta de capital.
O índice FinOpen
Como resposta a essa limitação, o painel apresenta o índice FinOpen, que utiliza informações mais detalhadas sobre regulações externas para mensurar o grau de abertura da conta de capital.
O índice permite capturar a intensidade das restrições, refletindo não apenas a existência de controles, mas também o quão restritivos eles são.
Além disso, o índice incorpora uma dimensão importante ao diferenciar os fluxos de capital por natureza, separando equity e dívida, bem como distinguindo entre entradas e saídas de capital. Essa desagregação amplia a capacidade analítica do indicador, permitindo avaliar não apenas o nível agregado de abertura, mas também a forma como os países regulam diferentes tipos de fluxos.
Na prática, isso permite uma leitura mais detalhada da evolução das políticas ao longo do tempo. Um exemplo apresentado no painel é o caso da China: enquanto indicadores tradicionais sugerem uma trajetória praticamente estável de abertura, o FinOpen evidencia um processo gradual de liberalização, capturando uma série de mudanças incrementais na regulação que não aparecem em medidas baseadas apenas em classificações binárias.
Abertura para equity e dívida e composição do passivo externo
A análise empírica apresentada no painel examina a relação entre o grau de abertura da conta de capital, distinguindo entre equity e dívida, e a composição do passivo externo dos países.
Os resultados mostram que um maior nível de abertura para fluxos de equity está associado a uma maior participação de equity no total de passivos externos. De forma análoga, maior abertura para fluxos de dívida está associada a uma maior participação de dívida nessa composição.
Dinâmica de ajuste e papel das instituições
O painel também analisa os efeitos ao longo do tempo e mostra que mudanças na política de abertura da conta de capital têm efeitos graduais. Inicialmente, o impacto sobre a composição do passivo externo é limitado, mas se torna positivo ao longo dos anos, à medida que os investidores se ajustam ao novo ambiente regulatório.
Além disso, os autores mostram que os efeitos da abertura relativa ao equity são mais fortes em países com melhor qualidade institucional. Isso sugere que a resposta da composição do passivo externo às mudanças na política de abertura depende, em parte, das condições institucionais domésticas.
Conclusão
O painel apresenta um novo instrumento para mensuração da abertura da conta de capital e mostra evidências de que a estrutura das políticas, especialmente no que diz respeito à diferenciação entre equity e dívida, está associada à composição do passivo externo.
Os resultados indicam que mudanças nas políticas de controle de capital podem influenciar essa composição ao longo do tempo, com efeitos condicionados pela qualidade institucional dos países.