Na parte da tarde, a Arko Talks 2025 aprofundou temas que ajudam a entender como o Brasil pode atravessar os próximos ciclos econômicos e políticos. Os debates trouxeram leituras importantes sobre o futuro do agronegócio, os desafios da implementação da reforma tributária e o cenário para as eleições de 2026.
Os painéis avançaram em um ponto comum: previsibilidade, segurança jurídica e capacidade de execução serão decisivos para determinar quem ficará para trás e quem vai conseguir transformar riscos em oportunidades nos próximos anos.
Painel 4: agro brasileiro entre pressão de custos, crédito e segurança jurídica
No painel com o deputado federal Pedro Lupion, mediado por Murillo de Aragão, o foco foi o retrato de um agro sob forte pressão. De um lado, custos de produção elevados e margens comprimidas. De outro, crédito mais caro, endividamento crescente e ausência de um programa robusto de seguro rural. O resultado é um ambiente em que muitos produtores adiam investimentos em tecnologia e inovação, justamente em um setor que sustenta boa parte do saldo comercial brasileiro.
Lupion destacou que o financiamento do campo já não depende majoritariamente do Plano Safra. Hoje, instrumentos de mercado como LCA, CRA e Fiagro são pilares do crédito para o agronegócio. Tentativas recentes de tributação desses veículos foram vistas como uma ameaça direta à capacidade de financiamento privado do setor. A reação da bancada do agro conseguiu preservar isenções, numa sinalização clara de que previsibilidade tributária será determinante para manter o fluxo de capital para o campo.
A infraestrutura também apareceu como gargalo central. O déficit de armazenagem, a saturação de portos e a demora em obras estratégicas como Ferrogrão e BRs estruturantes reduzem competitividade e deixam o produtor refém de preços de ocasião. Ao mesmo tempo, o licenciamento ambiental, demarcações de terras e decisões judiciais sobre temas como marco temporal e Código Florestal foram apontados como fontes de insegurança jurídica. A mensagem é direta: sem segurança regulatória, previsibilidade fiscal e um arcabouço moderno de seguros e crédito, o agro brasileiro corre o risco de perder parte da vantagem competitiva que construiu nas últimas décadas.
Painel 5: reforma tributária, IVA e o desafio de transformar teoria em segurança jurídica
O painel sobre reforma tributária colocou lado a lado defensores entusiasmados do novo modelo de IVA e especialistas mais céticos quanto à sua implementação. De um lado, o desenho da reforma foi apresentado como a grande oportunidade de simplificar o sistema, reduzir distorções e destravar o potencial de crescimento da economia brasileira. De outro, tributaristas e ex-integrantes da Fazenda alertaram para o risco de a transição aumentar, no curto e médio prazo, justamente aquilo que se quer reduzir: contencioso e insegurança jurídica.
Um dos pontos sensíveis foi a convivência entre IBS e CBS sobre o mesmo fato gerador. A dúvida sobre competências, regras de crédito, devolução e alíquotas finais alimenta a percepção de que o contencioso pode não diminuir, mas migrar de formato. A ausência de regulamentação detalhada e o atraso em projetos complementares, como os que tratam de obrigações acessórias, reforçam a sensação de que empresas ainda não sabem exatamente como se preparar para a virada do sistema.
O debate também expôs preocupações com possíveis impactos inflacionários em setores específicos, especialmente serviços, e com a renegociação de contratos em um ambiente de incerteza sobre alíquotas e repasses. A conclusão dos painelistas mais cautelosos é que a reforma era necessária, mas não será suficiente por si só. Medidas complementares de gestão de contencioso, como transação e arbitragem tributária, serão essenciais para que o novo modelo caminhe, de fato, na direção de mais simplicidade e segurança para contribuintes e investidores.
Painel 6: eleições 2026, segurança pública e disputa pelo centro
No debate com Zeca Dirceu (Deputado Federal), Andrei Roman (CEO da AtlasIntel) e Rafael Coracini (Jornalista), os participantes analisaram as forças que devem moldar a disputa eleitoral de 2026. A leitura comum é que o cenário tende a ser competitivo, influenciado por mudanças socioeconômicas, realinhamento partidário e um eleitorado menos previsível que nas últimas eleições.
Um dos pontos centrais foi a ascensão da segurança pública como principal preocupação do eleitor, tema que deve orientar discursos e prioridades de diferentes campos políticos. A interseção entre segurança, economia e combate ao crime organizado surge como elemento cada vez mais relevante na formulação de políticas e narrativas eleitorais.
O painel também destacou a importância crescente do eleitor moderado, especialmente nas classes urbanas. Esse segmento, mais atento à eficiência do Estado, qualidade dos serviços públicos e renda disponível, pode se tornar decisivo em um ambiente de polarização ainda presente, porém mais fragmentado e aberto a novas lideranças nacionais.
Encerramento: crise institucional, liderança política e caminhos possíveis para o país
O painel de encerramento reuniu Gilberto Kassab (Presidente do PSD), William Waack (Jornalista), Murillo de Aragão (Presidente da Arko Advice) e demais debatedores para discutir o momento político-institucional do Brasil. A conversa destacou os sinais de desgaste do debate público, o enfraquecimento das mediações tradicionais e a crescente dificuldade de construir consensos mínimos em temas estruturais. Os participantes ressaltaram que a polarização e o desalinhamento entre Executivo, Legislativo e Judiciário tornam mais complexa a formação de agendas de Estado.
Um ponto recorrente foi a fragilidade da representação política. A avaliação de Kassab e Aragão converge no diagnóstico de que o país carece de mecanismos que aproximem eleitos e eleitores, o que alimenta distorções e dificulta a renovação de quadros qualificados. A defesa do voto distrital apareceu como alternativa para melhorar a accountability e fortalecer vínculos locais, enquanto a baixa participação das elites em debates de interesse coletivo foi apontada como um fator que limita avanços institucionais e reformas de longo prazo.
O painel também abordou o cenário de 2026 sob uma perspectiva estrutural, destacando que a segurança pública tende a ocupar o centro do debate eleitoral, com impacto direto sobre a agenda econômica e a percepção de estabilidade. Os debatedores concordaram que o país precisará de liderança capaz de articular acordos amplos, reduzir tensões entre os poderes e reconstruir o ambiente de previsibilidade institucional. Em um contexto de expansão de gastos, judicialização crescente e fragmentação partidária, a capacidade de promover “consertação” política será determinante para o futuro próximo.
O que esses debates sinalizam para os próximos anos
Os painéis reforçaram a mensagem de que o Brasil entra em um ciclo em que regulação, tributação, política e macroeconomia estarão ainda mais entrelaçadas. A situação do agro, a implementação da reforma tributária e a disputa eleitoral de 2026 não podem ser lidas em separado. Todas essas dimensões impactam diretamente percepção de risco, custo de capital e decisões de alocação no médio e longo prazos.
Acompanhar de perto essas discussões e traduzi-las em análise é parte do compromisso com a construção de longevidade patrimonial. Entender como as regras do jogo podem mudar até 2027 e 2033 é fundamental para proteger hoje o que os investidores querem preservar para o futuro.
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